A Maré do Capital: Transformações na Paisagem Costeira e as Narrativas dos Pescadores Artesanais de Porto Seguro (1974-2001).
Pescadores artesanais; Paisagem;Histéria Oral; Porto Seguro.
A região costeira do extremo sul do Estado da Bahia tem passado por transformages ambientais e econdmicas relacionadas com o desenvolvimento do turismo, causando modificagdes no cotidiano dos seus moradores e na sua relagdo com o municipio emque vivem, mais precisamente, os pescadores artesanais do municipio de Porto Seguro. A vinculação destas “gentes do mar” com a cidade e sua paisagem maritima onde construiram sua Histéria vem desde o inicio do século XV, na interagdo dos conhecimentos nauticos dos povos que vieram compor este territorio, somados ao etnoconhecimento dos povos autoctones que ja vinham desenvolvendo uma relagdo com o mar ha séculos, nos dando como resultado uma Paisagem Imaterial presente nas formas de pescaria, desde as técnicas para a pesca as formas de relagéo caracteristicas entre os pescadores artesanais. Contemporaneamente, a historia de Porto Seguro passou por modificagdes expressivas no periodo de 1988 a 2000, deixando de ser uma cidade de pouco movimento, para tornar-se um dos principais destinos turisticos do pais, com a urbanização rapida de sua cidade e uma nova relação com o seu ambiente maritimo. A mudanca do local de venda dos pescados, a migração de parte dos pescadores artesanais para atividades relacionadas com o turismo e o impacto do aumento da frota de barcos de pesca na zona costeira trouxeram um novo ritmo à vida dos pescadores e uma nova narrativa sobre a paisagem ambiental local. Considerando a s mudangas ocorridas no municipio neste periodo, este trabalho tem como objetivo narrar as transformações historicoambientais ocorridas no municipio entre 1988 a 2000, através das memoérias dos pescadores artesanais nativos e migrantes e das pessoas que fazem parte do mundo da pesca (peixeiros, botequeiros e calafates) que viveram essas mudangas, utilizando-se do aporte teórico metodolégico da Histéria Oral, historicizando-se a memória, pois esta traz efeitos que estão na raiz de importantes movimentos identitarios (sociais e/ou politicos) na (re)afirmagéo de novas ou esquecidas subjetividades, e na construção de novas cidadanias. O uso de uma entrevista “zero” com uma “pessoa-fonte” indicara outras pessoas-fonte, servindo de subsidio para formar uma “colénia”, entendendo colônia como um grupo que tem o mesmo padréo de afinidades histéricas. É por meio desse olhar das pessoas do mar, das suas vivéncias e das suas experiéncias com a Paisagem busca-se entender algumas das mudancas que ocorreram na vida dessas pessoas do mar e dos seus descendentes, da sua relagdo com o mar e com a enseada do Rio Buranhém, local onde trafegavam não muitos barcos de polpa pesqueiros artesanais, no ritmo de ida e vinda das pescarias, da sua relação com a cidade através da tarifa (local da venda de peixes), da paisagem imaterial que compde e experimentam historicamente estes nativos pescadores costeiros.