NARRATIVAS ORAIS DE ESPAÇOS AFRO-RELIGIOSOS NA FORMAÇÃO ANTIRRACISTA ESCOLAR.
história oral, ancestralidade; educação; equidade; resistência cultural.
O Brasil é um país constituído pela junção de diferentes povos, sendo grande parte de sua população descendente de africanos. A presente pesquisa busca evidenciar a relevante contribuição dos saberes presentes em mitos/itans e lendas que chegaram ao país com a diáspora africana e resistiram ao tempo por meio da oralidade preservada em espaços religiosos de matrizes africanas. A oralidade, como prática ancestral, ocupa papel fundamental na preservação da memória e na transmissão dos saberes do povo afro-brasileiro. Por meio das histórias contadas, carregadas de significados culturais, espirituais e sociais, perpetua-se uma tradição que assegura a valorização da identidade e a resistência desse povo. No entanto, muitos desses conhecimentos permanecem ausentes dos curriculos escolares, na maioria pela falta de diálogo e de contato com os espaços das religiões afro-brasileiras, pois nestes espaços há uma presença marcante de saberes e valores nas mitologias, lendas e itans provenientes de nações iorubas, bantas, congo angolanas entre outras. Essa ausência contribui para o fortalecimento do racismo religioso e silencia vozes que deveriam ser ouvidas. Nesse sentido, a escola, como instituição social, deve assumir o compromisso de promover o respeito à pluralidade, o reconhecimento da diversidade cultural e a construção de uma cultura de paz, criando condições para uma sociedade mais justa e equitativa. Garantir espaço a essas vozes historicamente silenciadas, entre elas professores e estudantes adeptos das religiões afro-brasileiras, é um passo essencial para transformar a educação em um lugar de inclusão e de respeito às diferenças.