CARACTERIZAÇÃO DA DIVERSIDADE FUNCIONAL NA RECUPERAÇÃO E FUNCIONAMENTO DE FLORESTAS TROPICAIS
carbono, funcionamento ecossistêmico, restauração florestal, sobreredundância funcional, vulnerabilidade funcional.
A intensa influência humana sobre os ecossistemas terrestres é responsável não apenas pela perda acelerada de espécies, mas também pelo comprometimento das funções e serviços ecossistêmicos essenciais, como o armazenamento de carbono. A restauração ecológica é uma estratégia fundamental capaz de atuar na mitigação desses impactos, porém ainda falta conhecimento sobre como atua no reestabelecimento da diversidade funcional das florestas tropicais, e se é capaz de assegurar o retorno e a estabilidade das funções ecossistêmicas. Esta tese teve como objetivo caracterizar o padrão de diversidade funcional em diferentes contextos florestais, considerando a idade das florestas em regeneração e a manutenção do serviço de armazenamento de carbono. A tese está estruturada em 2 capítulos. No primeiro capítulo avaliamos se as medidas de diversidade funcional (riqueza de grupos funcionais, redundância funcional, sobre-redundância funcional e vulnerabilidade funcional) encontrada em florestas antigas são similares às de florestas restauradas e qual a relação dessas medidas com a idade das florestas em restauração. Selecionamos 14 áreas de floresta antiga e 32 de floresta em regeneração abrangendo diferentes idades. Calculamos os índices de diversidade funcional considerando traços relacionados ao grupo ecológico, tipo de fruto, síndrome de dispersão e tamanho da semente. Utilizamos modelos lineares generalizados para analisar as relações entre os índices de diversidade e as florestas restauradas e antigas, bem como a relação com a idade das áreas em regeneração. Todos os índices, com exceção da vulnerabilidade funcional, diferem das áreas de floresta antiga. Apenas a sobre-redundância funcional está relacionada com a idade das florestas restauradas. Concluímos que áreas em regeneração apresentam resiliência variável. Estágios iniciais de sucessão são vulneráveis diante da perda de espécies e com o avanço da sucessão tendem a ser mais estáveis através do incremento de novas espécies. Além disso, a idade, como métrica isolada, não é capaz de exprimir o sucesso funcional das florestas em regeneração. No segundo capítulo abordamos a relação entre as medidas de diversidade funcional e o armazenamento de carbono em três tipos de floresta (floresta primária, explorada seletivamente e restaurada). Selecionamos 3 áreas de cada tipo florestal. Calculamos os índices de diversidade funcional com base nos traços relacionados ao tipo de fruto, síndrome de dispersão, diâmetro na altura do peito e densidade da madeira. Posteriormente estimamos a quantidade de carbono. Os índices de diversidade funcional diferiram apenas para as florestas restauradas com menor riqueza de espécies e riqueza de grupos funcionais, baixas redundância funcional e sobre-redundância funcional, porém com elevada vulnerabilidade funcional. O estoque de carbono também diferiu apenas para florestas restauradas, com maiores estoques nas áreas de floresta primária e explorada seletivamente. Observamos correlações positivas entre o estoque de carbono e os índices de diversidade funcional, exceto a vulnerabilidade que apresentou uma correlação negativa. As informações geradas a partir desses 2 capítulos contribuem para o entendimento da funcionalidade ecossistêmica ao longo do tempo e em diferentes tipos florestais, destacam a importância da redundância e sobre-redundância funcional e demonstra como a vulnerabilidade funcional está atrelada a manutenção dos serviços ecossistêmicos.