MATURIDADE SEXUAL MORFOLÓGICA, CRESCIMENTO RELATIVO, PRODUÇÃO REPRODUTIVA E DIFERENÇA DE FORMA CORPORAL EM Macrobrachium acanthurus (Wiegmann, 1836) (DECAPODA: PALAEMONIDAE), UM CAMARÃO DE ÁGUA DOCE DO BIOMA MATA ATLÂNTICA
rustáceo; maturidade sexual; investimento reprodutivo; morfometria; Palaemonidae.
A ampla distribuição geográfica e a estratégia de vida anfídroma de M. acanthurus permite a ocupação de diversos ambientes, bem como exige exposição a diferentes condições ambientes. Tais variações podem ter influência direta em padrões de crescimento, tamanho de início de maturidade sexual morfológica, frequência reprodutiva, fecundidade e diferenças na forma corporal entre suas populações. Dessa forma, o objetivo deste estudo é investigar o tamanho de início da maturidade sexual morfológica, avaliar o crescimento relativo, estimar o potencial reprodutivo, analisar a variação de forma corporal nos três morfotipos masculinos e avaliar o dimorfismo sexual de forma em uma população de M. acanthurus. Os camarões foram capturados por meio de busca ativa e armadilhas. Todas as coletas foram feitas no Rio Cachoeira, Ilhéus, Bahia. Como metodologia, foram usados métodos de morfometria linear, contagem direta dos ovos das fêmeas e técnica de morfometria geométrica. Nossos resultados mostram que as fêmeas atingem a maturidade sexual morfológica em tamanhos corporais menores que os machos. Estes, por sua vez, direcionam parte de seu investimento energético para o desenvolvimento dos quelípedes mesmo antes de alcançarem a maturidade sexual. A produção reprodutiva não apresentou correlação significativa com o tamanho das fêmeas, nem variação entre os diferentes estágios de desenvolvimento. Há um aumento de 37,5% no volume dos ovos ao longo dos estágios. As fêmeas investem, em média, 14,98% de seu peso corporal na produção de ovos. Os custos energéticos inerentes a reprodução e curto período de incubação podem ter contribuído para a manutenção do peso das fêmeas em ambos os estágios de desenvolvimento. A forma do cefalotórax sofre efeito do aumento de tamanho nos morfotipos. A inclinação do rostro e a robustez do cefalotórax são as principais diferenças entre os morfotipos e fêmeas. Tais resultados evidenciam a plasticidade fenotípica da espécie, bem proporciona comparações entre suas populações.