AYAHUASCA NO ENSINO DE QUÍMICA: DIÁLOGOS ENTRE SABERES INDÍGENAS E CONHECIMENTOS CIENTÍFICOS EM UMA PERSPECTIVA INTERCULTURAL E DECOLONIAL
Saberes tradicionais; Ensino de Ciências; Formação docente; Diálogo de saberes; Medicina da floresta.
A presente pesquisa investiga as possibilidades de articulação entre os saberes indígenas relacionados à ayahuasca e os conhecimentos científicos no Ensino de Química, a partir de uma perspectiva intercultural e decolonial. Parte-se da compreensão de que os conhecimentos produzidos pelos povos indígenas constituem formas legítimas de produção e transmissão de saberes, historicamente invisibilizadas pela colonialidade do conhecimento. Nesse contexto, o estudo tem como objetivo investigar como esses saberes podem contribuir para a elaboração de uma Unidade Intercultural de Ensino de Química (UIEQ), promovendo o diálogo entre diferentes formas de conhecimento. A dissertação está organizada em quatro capítulos articulados. O primeiro apresenta uma revisão narrativa sobre a inserção da interculturalidade no Ensino de Química na Educação Básica. Os resultados evidenciam a valorização das culturas afro-brasileiras e indígenas, a integração de conhecimentos tradicionais, populares e locais aos conteúdos químicos e o desenvolvimento de estratégias didáticas interculturais. Também são identificadas lacunas relacionadas à presença dos saberes indígenas e à formação docente para uma educação intercultural. O segundo capítulo aborda os saberes indígenas relacionados à ayahuasca, sua diversidade de significados e formas de utilização, bem como sua incorporação e ressignificação por diferentes tradições religiosas e o processo de regulamentação de seu uso religioso no Brasil. O terceiro capítulo analisa a composição química da bebida, especialmente as β-carbolinas associadas à *Banisteriopsis caapi* e a N,N-dimetiltriptamina (DMT), relacionada à *Psychotria viridis*, evidenciando possibilidades de articulação com conteúdos de Química e discussões sobre biodiversidade, conhecimentos tradicionais e conservação ambiental. O quarto capítulo, ainda em desenvolvimento, dedica-se à elaboração da UIEQ, estruturada nos eixos histórico-cultural, científico-químico e socioambiental e político. Os resultados parciais indicam o potencial da ayahuasca como tema contextualizador para um Ensino de Química crítico, intercultural e decolonial, favorecendo o diálogo entre ciência, cultura, território e diferentes formas de conhecimento.