Banca de QUALIFICAÇÃO: WANDER LUIZ PEREIRA DOS SANTOS

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : WANDER LUIZ PEREIRA DOS SANTOS
DATA : 24/06/2026
HORA: 09:00
LOCAL: Metapresencial
TÍTULO:

Os nós do Angelim A luta pela água nas comunidades do Angelim (Conceição da Barra-ES)


PALAVRAS-CHAVES:

conflitos socioambientais; comunidades quilombolas; crise hídrica; território; resistência


PÁGINAS: 80
RESUMO:

Esta pesquisa investiga propõe uma investigação sobre os conflitos socioambientais que envolvem comunidades quilombolas e empreendimentos agroflorestais na região nordeste do Espírito Santo, tendo a crise hídrica como eixo norteador da análise. O recorte empírico compreende as comunidades Angelim I, Angelim II e Angelim III, situadas na microbacia do rio Angelim, no município de Conceição da Barra. Essas comunidades fazem parte do território do Sapê do Norte, uma região historicamente marcada pela presença negra e por sucessivos ciclos econômicos que remontam ao período colonial, incluindo a extração madeireira, a produção farinheira e, mais recentemente, a expansão das monoculturas de eucalipto e cana-de-açúcar.A questão central que orienta a pesquisa é compreender como as práticas das empresas instaladas têm restringido o acesso das comunidades aos recursos naturais – como água – e de que forma esses conflitos se articulam com a escassez hídrica crescentemente vivenciada pelas populações locais. A pesquisa parte do pressuposto de que a falta de água não é um fenômeno meramente natural ou climático, mas socialmente produzido pelas transformações no uso do solo, pelo avanço das monoculturas e pela atuação do Estado, que ora media os conflitos, ora atua como facilitador dos interesses empresariais. Metodologicamente, adota-se uma abordagem qualitativa, de caráter explicativo e interdisciplinar. Os procedimentos de coleta de dados incluem pesquisa documental (análise de relatórios técnicos, processos de licenciamento ambiental, denúncias ao Ministério Público e termos de ajuste de conduta), entrevistas abertas com lideranças comunitárias, moradores antigos, gestores públicos e agentes de defesa de direitos, além de observação participante em reuniões comunitárias, mutirões de recuperação de nascentes e atividades cotidianas. A análise dos dados será feita por meio de análise de conteúdo temática, análise de narrativas e triangulação de fontes. Os resultados preliminares indicam que as comunidades do Angelim enfrentam um processo de progressivo “imprensamento” entre grandes propriedades de eucalipto e cana-de-açúcar, com perda de acesso a territórios tradicionalmente ocupados, degradação dos corpos hídricos e comprometimento das atividades extrativistas e agrícolas de subsistência. As estratégias de resistência desenvolvidas incluem retomadas de terras, recuperação de nascentes, articulação política com redes regionais e nacionais, e a reelaboração de práticas culturais e produtivas que reafirmam a identidade quilombola. O texto de qualificação sustenta que a água, mais do que um recurso natural, constitui um operador analítico importante para evidenciar as assimetrias de poder, as violações de direitos e as possibilidades de resistência no contexto do avanço do capital sobre territórios tradicionais.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1629912 - JANAINA ZITO LOSADA
Externo ao Programa - 1563747 - MARCOS EDUARDO CORDEIRO BERNARDES - nullInterna - 1625472 - MARIA APARECIDA DE OLIVEIRA LOPES
Interno - ***.205.874-** - ROBERTO MUHAJIR RAHNEMAY RABBANI - UFS
Externo à Instituição - VICTOR HUGO CRISCUOLO BOSON - UFMG
Notícia cadastrada em: 22/06/2026 15:16
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