DISTRIBUIÇÃO DE Atta robusta BORGMEIER, 1939 (HYMENOPTERA: FORMICIDAE) E VARIÁVEIS AMBIENTAIS COMO LIMITANTES NA SUA OCORRÊNCIA
Maxent, Biogeografia, Fauna ameaçada, Distribuição.
A formiga cortadeira Atta robusta (Borgmeier, 1939), possui uma distribuição biogeográfica restrita, associada a ambientes de restinga, ecossistemas costeiros arenosos com solos pobres e alta salinidade. Sua ocorrência está limitada a faixas litorâneas específicas dos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo. Embora existam registros pontuais no Pará, tais ocorrências diferem do padrão biogeográfico da espécie e sugerem possíveis inconsistências na identificação taxonômica. O endemismo e a dependência da restinga tornam a espécie vulnerável à pressão antrópica, como a expansão urbana, com risco de fragmentação e perda de locais de nidificação e forrageamento da espécie. Devido à sua distribuição restrita e às ameaças contínuas, Atta robusta esteve por muitos anos na lista de fauna ameaçada de extinção. Partindo desse pressuposto e visando delinear a real distribuição da espécie, o estudo foi guiado por duas hipóteses mutuamente exclusivas: I) Atta robusta possui distribuição restrita unicamente aos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo; ou II) Atta robusta possui distribuição mais ampla que se estende para além desses estados. Para testar essas hipóteses, a dissertação foi dividida em dois capítulos. O primeiro capítulo abordou uma revisão sistemática sobre Atta robusta, visando identificar as principais informações sobre a espécie. Já o segundo capítulo, por meio de métodos de modelagem, utilizando MaxEnt, integrando dados de ocorrências e variáveis climáticas e biogeográficas. Os resultados indicam que Atta robusta apresenta certa plasticidade de habitat, ocorrendo tanto em restingas quanto em áreas antropizadas e sombreadas, porém o seu nicho climático é restrito sendo fortemente determinado pela temperatura mínima do mês mais frio (BIO6). A espécie tolera temperaturas médias invernais em torno de 16 °C (mínimo tolerado ≈ 12 °C) e temperaturas de verão entre 27 °C e 31 °C, além de preferência por precipitação moderada (~150 mm/mês), em concordância com a sensibilidade do fungo simbionte. Os modelos apontaram áreas potenciais favoráveis além do Espírito Santo e Rio de Janeiro, incluindo trechos da Bahia e Sergipe, o que reforça a necessidade de buscas dirigidas nessas regiões e de reavaliação do estado de conservação da espécie.