PATRIMÔNIO CULTURAL E BIODIVERSIDADE: Uma Análise do Gênero Vanilla em Comunidades do Extremo Sul Da Bahia
Etnobotânica; Inflorescência; Fitoquímica; Conhecimento Tradicional
Associado.
O projeto em questão propôs investigar a relação etnobotânica de comunidades tradicionais e originárias do Extremo Sul da Bahia com espécies do gênero Vanilla. Para além da exploração etnobotânica da Vanilla, objetivou-se investigar aspectos biológicos da baunilha silvestre que beneficiem tanto as comunidades participantes quanto a ciência, a conservação da biodiversidade e o meio ambiente em que vivem. A pesquisa está sendo desenvolvida em três capítulos. O primeiro capítulo teve como objetivo analisar a morfologia anatômica do ovário floral de duas espécies, Vanilla phaeantha Rchb.f. e Vanilla chamissonis Klotzsch, a fim de investigar evidências compatíveis com tipo espiga. Na literatura, a inflorescência das espécies do gênero Vanilla é descrita como do tipo racemo com flores dispostas ao longo do eixo principal, geralmente pediceladas. Todavia, a rigidez dessa classificação é questionável. Os resultados indicaram padrões estruturais consistentes com a inserção direta das flores no eixo principal, características de inflorescência de espiga, e em contraste com a presença de pedicelos observada em racemos. O segundo capítulo teve como objetivo realizar a prospecção fitoquímica dos extratos metanólicos obtidos das folhas e dos caules de Vanilla sp., coletada em colaboração com a comunidade indígena Tibá (Pataxó) no município de Prado, Bahia. Os resultados indicaram a presença de alcaloides, saponinas e esteroides/triterpenoides em ambos os extratos. Reação positiva fraca para compostos fenólicos foi observado em ambas as partes da planta, enquanto classes como flavonoides comuns e glicosídeos cardíacos não foram detectadas. Além de ser o primeiro relato fitoquímico para a espécie nessa região, este estudo reforça a importância de pesquisas etnobotânica que aliam conservação da biodiversidade à valorização dos saberes de comunidades tradicionais direcionando futurosestudos de bioprospecção. O terceiro capítulo tratasse de um levantamento etnobotânico do Conhecimento Tradicional Associado ao gênero Vanilla que será desenvolvido em três comunidades do Extremo Sul da Bahia, sendo duas comunidades indígenas e uma comunidade quilombola, essas comunidades estão localizadas nos municípios de Prado, Alcobaça e Teixeira de Freitas, respectivamente. São comunidades que apresentaram ocorrência natural de Vanilla, porém pouco foi documentado e/ou descrito sobre seu uso até o presente momento. Por envolver entrevistas com comunidades, o presente estudo exige um processo ético específico, estruturado em diversas etapas para garantir o respeito aos direitos coletivos e culturais dos indivíduos participantes. Até o momento, não foram realizadas coletas de dados etnobotânicos, uma vez que o projeto ainda se encontra em apreciação ética pela CONEP.