Banca de DEFESA: JUNIA DA CUNHA LYRIO

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : JUNIA DA CUNHA LYRIO
DATA : 28/11/2025
HORA: 08:30
LOCAL: Metapresencial
TÍTULO:

Memória dos Banhos de Argila na Lagoa Azul de Arraial d’Ajuda (Porto Seguro -BA)


PALAVRAS-CHAVES:

NARRATIVAS; PAISAGEM; PERFORMANCE; ESTRUTURAS DE SENTIMENTO; UTOPIA CONCRETA


PÁGINAS: 125
RESUMO:

A presente dissertação analisou as Narrativas de Memória dos Banhos de Argila na Lagoa Azul do Arraial d’Ajuda, em Porto Seguro -BA, que, a partir da década de 1970, passam a fazer parte de práticas relacionadas aos movimentos alternativos, envolvendo diferentes sujeitos e personagens, com suas agências e motivações, em busca da interação com a Lagoa, a Argila, a Cascata e as Falésias, desde a construção da BR-101. Problematiza-se a degradação da Lagoa, enquanto são observados passos, estudos e mobilizações no sentido de sua recuperação. Considerando o arco temporal proposto para o desenvolvimento desta pesquisa, foram delimitados quatro momentos diferentes relativos às experiências com a argila na Lagoa Azul do Arraial d’Ajuda: i) antes dos banhos de argila, ii) a partir de 1973, com os primeiros banhistas, seguido por uma iii) nova fase de banho de argila Lagoa Azul, destino turístico paradisíaco; e hoje, iv) a lagoa a ser salva. As transições, pelas diferenças no modo de estar na Lagoa, indicam possibilidades de transformações nas estruturas locais. Uma estética determinada pelo uso ou interação, ou ainda, pelas formas e motivações para acessar a Lagoa, implicando aí, a argila, sugere transformações nas realidades observadas que são de materialidade política. Neste sentido, justifica-se o estudo de narrativas de memória em que se privilegia a práxis da memória crítica, sobretudo, considerando as experiências cotidianas de viver a cidade. A atenção enfatiza as transformações na vida urbana. A partir dos relatos, revelaram-se, as narrativas como uma práxis de memória crítica, de memória política, assim como, rituais polissêmicos da nossa experiência com e na cidade. Com operações dialéticas, foi possível colocar em diálogo as questões que emergiram do trabalho de campo, tais como memória e futuro, para a utopia concreta, com Princípio Esperança de Ernst Bloch; corpo e cultura, para identidade, com as Estruturas de Sentimento de Raymond Williams; experiência e memória, para narrativas com Walter Benjamin. Identificados os/as narradores/as houve divisão em três grupos considerando, nativos com mais de cinquenta anos, pessoas que chegaram jovens ainda, entre as décadas de 1970 e 80, e pessoas que atuam e/ou pesquisa no lugar. A montagem com método valorizando os fragmentos e vestígios, e o acionamento da memória dos banhos de argila, através das narrativas de experiências de diferentes sujeitos, permite contar uma história em que performances possibilitaram a fusão corpos-gestos-paisagem, em cujas interações esses sujeitos entregaram ao lugar elementos de potência, produzindo uma prática cultural distinta e única. Permite-se, assim, trazer ao complexo horizonte dos conflitos ambientais e urbanos, melhor compreensão de como diferentes grupos se inserem e se incorporam ao meio ambiente, para além da extração e exploração dos recursos, das lógicas de cultura hegemônica da cidade-mercado, da água como mercadoria, da paisagem como estampa, dos usos do tempo livre, dos modos de gozar a vida, dos comportamentos uniformizantes, dos trânsitos e dos caminhos. Ao considerar a paisagem e as performances dos banhos de argila, nas narrativas de memória, na possibilidade de um encontro entre o tempo das experiências rememoradas, com um futuro que então se antecipava, em performance brincante, evocava-se dias melhores, de vivências com a natureza, mais intensas, com a desaceleração do tempo mecânico de uma contemporaneidade atravessada por modos de produção aniquiladoras do tempo livre, da vida regrada por amarras morais, e que neste tempo presente das narrativas entrega uma práxis de confluência. Uma encruzilhada de temporalidades, corporeidades e naturezas. Na paisagem, a fruição da memória. Ao argumentar que a produção desta prática cultural dos banhos de argila materializada no cotidiano de uma cidade turística, ao ser conjugada aos acionamentos culturais como os que se propõe, a partir desta, na pesquisa, quando articulada a memória na perspectiva da paisagem e da performance, como espectros no exercício de rememoração, responder em que medida os cotidianos da cidade são marcados e marcaram essas experiências estético-políticas, como movimentos articulados de práticas culturais, significando contrapontos às ordens estabelecidas. informa uma relação dialética, que situa uma história emergente e uma memória. Nesta tensão, identificamos a superação do ato estático, com a matéria argila. Na memória de um futuro antecipado, a gestação de uma utopia concreta.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1164694 - CHRISTIANNE BENATTI ROCHEBOIS
Externa à Instituição - JUSSARA PEIXOTO MAIA - UFRB
Interna - 1803265 - LILIAN REICHERT COELHO
Interno - 1553833 - MARCIO JOSE SILVEIRA LIMA
Externa ao Programa - 1632990 - MILENA CLAUDIA MAGALHAES SANTOS - nullExterna à Instituição - PATRICÍA DA VEIGA BORGES - UFRJ
Notícia cadastrada em: 30/10/2025 09:50
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