ECOSSISTEMAS DE APRENDIZAGEM COLABORATIVOS: uma cartografia político-afetiva de uma comunidade de aprendizagem
comunidade de aprendizagem; transformação educacional; inovação escolar; ecossistemas de aprendizagem
Esta pesquisa discorre sobre mudanças educacionais a partir do conceito de comunidades de aprendizagem, tomando como referência práticas educativas democráticas que emergem da sociedade civil e tensionam os modos instituídos de organização escolar, impulsionando transformações sociais. Com o objetivo geral de compreender como a atuação de um coletivo, situado em Porto Seguro, pode promover mudanças educacionais de caráter sistêmico na região. Parte-se da hipótese de que é possível constituir um ecossistema de aprendizagem colaborativo a partir de práticas educativas de base comunitária, operando como estratégia política de transformação da escola ao inverter a lógica verticalizada das políticas educacionais e instaurar dinâmicas de mudança construídas “de baixo para cima”. Considera-se que a comunidade, em sua diversidade, escuta, partilha e ação coletiva, pode tensionar e reconfigurar os modos instituídos de gestão, currículo e funcionamento escolar. A pesquisa foi realizada por meio do método da cartografia, em uma perspectiva de pesquisa-intervenção, comprometida com o acompanhamento de processos vivos e relacionais que atravessam a experiência do coletivo investigado. A cartografia é concebida como instrumento político-afetivo, não apenas de descrição, mas de implicação na construção de futuros possíveis. Os objetivos específicos orientaram-se para: (1) elaborar um memorial da trajetória do coletivo; (2) explicitar sua práxis enquanto comunidade de aprendizagem; (3) analisar as brechas institucionais produzidas por suas ações no interior da escola; e (4) mapear a rede constituída na região em direção à formação de um ecossistema de aprendizagem colaborativo. Os resultados evidenciam que a transformação da educação não se sustenta exclusivamente no interior da escola, mas emerge de redes colaborativas que articulam sujeitos, coletivos e instituições em torno da produção de sentidos comuns. Tais processos tensionam a centralidade escolar e implicam não apenas mudanças institucionais, mas a produção de novas formas de subjetivação, orientadas pelo comum e contrárias às lógicas individualizantes. Na intersecção entre educação, psicologia e ciências sociais, a pesquisa afirma o ecossistema de aprendizagem colaborativo como uma organização política capaz de impulsionar transformações educacionais. Conclui-se que o direito à educação ultrapassa a escolarização formal, exigindo práticas plurais, territorializadas e comprometidas com a justiça social e a democracia.