Composição, Estrutura e Bioeconomia da Flora da Restinga no Refúgio de Vida Silvestre do Rio dos Frades, Porto Seguro, Bahia
Florística; Fitossociologia; Potencial de uso; Botânica Econômica; Revisão sistemática da literatura.
A vegetação de restinga desempenhou papel fundamental na zona costeira brasileira por fornecer serviços ecossistêmicos essenciais, mas encontrava-se sob intensa pressão antrópica. Este estudo teve como objetivo analisar as variações em pequena escala das comunidades vegetais de restinga em moitas (formações arbustivas) de duas áreas separadas pelo Rio dos Frades e em diferentes estágios de conservação, no Refúgio da Vida Silvestre Rio dos Frades (RVSRF), bem como elaborar uma lista de espécies potenciais para a bioeconomia, destacando aquelas com maior uso real ou potencial nas diferentes formações vegetais. O levantamento florístico, realizado mensalmente entre dezembro de 2024 a agosto de 2025, contemplou duas áreas: margem esquerda (área 1) e margem direita (área 2) do RVSRF. Todas as angiospermas coletadas foram herborizadas e identificadas segundo metodologias padrão, sendo as amostras incorporadas ao Herbário Prof. Geraldo Carlos Pereira Pinto (GCPP/UFSB) e complementadas por registros de coleções científicas e herbários virtuais. Foram obtidas informações sobre origem, distribuição geográfica, domínios e tipos de vegetação, endemismo, nomes populares e status de ameaça. No total, registraram-se 124 espécies e 96 gêneros distribuídos em 49 famílias, com destaque para Bromeliaceae e Rubiaceae (7 spp. cada), Eriocaulaceae e Fabaceae (6 spp. cada), além de Apocynaceae, Melastomataceae e Poaceae (5 spp. cada), enquanto famílias com até quatro espécies representaram 44,35% da diversidade total. Paralelamente, instalaram-se parcelas permanentes segundo o protocolo RAPELD, no âmbito da Rede PPBio Restinga Beira-Mar, para subsidiar o monitoramento de longo prazo da biodiversidade frente às mudanças climáticas. Para a dimensão bioeconômica, realiza-se uma Revisão Sistemática baseada no Protocolo PRISMA, com foco em identificar e ranquear espécies nativas com maior e menor potencial de uso. A pesquisa foi organizada em três capítulos: diversidade e similaridade florística de angiospermas e estágios de conservação das comunidades vegetais do RVSRF; variações em pequena escala da composição, estrutura e diversidade sob diferentes estágios de conservação; e potencial da flora de restinga como alternativa para geração de renda sustentável em comunidades litorâneas. Assim, o estudo contribui diretamente para estratégias de conservação e geração de renda sustentável nas comunidades litorâneas do sul da Bahia.