Diversidade de Culicidae (Diptera) associados a fitotelmatas bromelícolas (Bromeliaceae) em áreas silvestres e urbanas em Porto Seguro Bahia
alterações ambientais; bromeliaceae; fitotelmata; mata atlântica; mosquitos.
O estudo da fauna de Culicidae em bromélias de Porto Seguro (BA) revelou padrões distintos entre ambientes silvestres e urbanos. No Capítulo 1, o inventário registrou 11 táxons, com dominância do subgênero Culex (Microculex) em todas as áreas. Embora a área urbana tenha apresentado maior abundância absoluta e riqueza observada, as análises de diversidade (números de Hill) indicaram que os ambientes silvestres sustentam maior diversidade potencial e equitabilidade, enquanto o ambiente urbano é dominado por um conjunto reduzido de espécies generalistas. A composição das comunidades diferiu significativamente entre os ambientes, com Culex quinquefasciatus e Culex neglectus identificadas como espécies indicadoras exclusivas de áreas urbanas. A presença, ainda que em baixa frequência, de vetores como Aedes aegypti em bromélias ornamentais destaca o risco sanitário desses microecossistemas na matriz urbana. No Capítulo 2, a análise dos determinantes ecológicos demonstrou que filtros locais exercem maior influência sobre a comunidade do que a paisagem. O volume de água consolidou-se como o principal preditor positivo tanto para riqueza quanto para abundância, seguido pela resistividade (qualidade da água), que também favoreceu a abundância. Surpreendentemente, o gradiente de urbanização não influenciou significativamente a estrutura da comunidade, indicando que a qualidade do microhabitat é preponderante sobre o entorno. A hipótese de regulação top-down foi refutada, pois a abundância de predadores não afetou a densidade de Culicidae, confirmando que essas comunidades são estruturadas primariamente por forças bottom-up (disponibilidade de recursos). Os resultados indicam que as bromélias funcionam como microcosmos resilientes. A urbanização altera a composição das espécies, favorecendo oportunistas, mas não reduz necessariamente a abundância ou riqueza local, desde que o volume de água — muitas vezes garantido em bromélias ornamentais de grande porte — seja suficiente. Isso sugere que o paisagismo urbano pode criar ambientes ideais para a reprodução de mosquitos, conectando funcionalmente o ambiente silvestre ao residencial.