Democracia como Forma de Vida: Epistemologias do Sul Global e Experimentações Democráticas Sociocentradas
Experimentações Democráticas Sociocentradas; Democracia como Forma de Vida; Epistemologias do Sul Global; Colonialidade do Poder; Integralidade.
Esta dissertação, ao adotar uma perspectiva crítica à persistência da matriz colonial do poder e aos limites estruturais da democracia liberal-representativa, pretende problematizar a exclusão epistêmica de saberes e, a partir disso, a perda de legitimidade dos modelos participacionistas hegemônicos. O objetivo central consiste em aprofundar e ampliar o referencial teórico das Experimentações Democráticas Sociocentradas (EDS), explorando-as como ferramenta analítico-interpretativa capaz de decolonizar e qualificar o conceito de democracia como forma de vida. Do ponto de vista epistemológico-metodológico, adoto uma estratégia de análise teórica abdutiva e bibliográfica, fundamentada na vigilância epistemológica e na posição de pesquisador-ativista-sujeito periférico, articulando o pragmatismo deweyano às Epistemologias do Sul Global. O corpus de análise integra aprendizados coproduzidos no âmbito do Grupo de Pesquisa Paidéia/CNPq em três campos de insurgência – povos e comunidades tradicionais, movimentos populares e redes de luta e coletivos urbanos contemporâneos –, os quais atuam como diferentes agentes de um mesmo ecossistema de ativismo social insurgente, fundamentado pela condição compartilhada da sujeição periférica ao sistema-mundo dominante. Como resultado parcial, a investigação procura estruturar conceitualmente as EDS em processos-chave e categorias centrais. Com ênfase analítica nesta etapa de qualificação, observo que a categoria da integralidade opera uma reconexão cosmopolítica e experiencial fundamental, posicionando as EDS como um lócus privilegiado de ampliação ontoepistêmica da política, capaz de efetivar alternativas que desvinculem e subvertam a matriz colonial do poder.