A escola, o Ensino da Arte e o Terreiro: Crianças e visualidades
Ensino de Arte, Educação em Terreiros; Discriminação e Preconceitos; Crianças
Este trabalho apresenta os resultados da investigação intitulada: A escola, o Ensino da Arte e o Terreiro: Crianças e visualidades, desenvolvida a partir das oficinas de Fotografia Artesanal com Latinha, realizadas com crianças que frequentam Terreiros e a Escola, para produzir e capturar visualidades feitas por estas crianças. Ao refletirmos sobre o Ensino da Arte na esfera da Lei 10.639/2003 atualizada para a 11.645, nos possibilitou pensar o ensino na perspectiva antirracista. Deslocando nosso olhar para o Ensino da Arte no ambiente e para o Terreiro de Umbanda Pai Benedito em Helvécia, compreendemos que o desconhecimento é um fator decisivo na propagação do preconceito existente em relação às religiões de matrizes africanas no espaço escolar. Buscamos contribuir com a circulação de informações sobre a Umbanda e a importância dessa cultura como uma ação de inclusão e combate ao preconceito religioso, diluindo a visão distorcida desse ambiente de culto na comunidade. Desconstruir essa visão estereotipada logrará fortalecer a educação antirracista, combater a intolerância e, assim, desempenhar um papel crucial na luta contra a discriminação, promovendo conscientização e colaboração na defesa dos direitos dos praticantes da Umbanda em Helvécia. A metodologia de natureza qualitativa evidenciou a questão norteadora: como a Escola se relaciona com as crianças de Terreiros e estas se relacionam com a escola. Propomos a valorização da condição da criança, da educação nos Terreiros e da fotografia como possibilidade da arte como crítica à supremacia da estética euronormativa na escola. Ao ocupar esse território-oficina através da apropriação, uso e identificação de um espaço visto com preconceito, procuramos validar o empoderamento das crianças que frequentam o Terreiro no processo educativo. O trabalho destacou que as oficinas revelaram a capacidade da imagem feita pela criança em traduzir sentidos, ao transportar cada olhar em direção a uma estética antirracista e sensível ao mundo infantil. As análises apontam para a necessidade da formação docente crítica e antirracista e uma nova experiência pedagógica que possa valorizar a diversidade étnico-racial, a desconstrução de estereótipos e preconceitos, levando em consideração a cosmopercepção das crianças de Terreiro. As impressões coletadas sobre os vídeos de artistas, a idéia de arte e o que aprendem nas escolas e nos livros didáticos, evidenciou a colonialidade do ensino da arte ao apoiar-se apenas nas narrativas canônicas e nas artes visuais como campo fechado de uso restrito das camadas mais abastadas de um mundo circunscrito às elites. As oficinas foram registradas no formato de cartilha com os resultados produzidos trazendo as orientações técnicas para a replicação dessa proposta nas escolas e se configura como o Produto Educacional exigido pelo programa para a conclusão do mestrado. Ao desconstruir brincadeiras racistas e estereótipos, os conteúdos do campo sensível da arte podem contribuir para que as crianças construam sentidos de pertencimento, se contrapondo ao preconceito, ao racismo e à discriminação sobre os espaços de culto das religiões de matriz africana.