Banca de DEFESA: PRICILA CESAR FIGUEIRÊDO

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : PRICILA CESAR FIGUEIRÊDO
DATA : 19/12/2025
HORA: 09:00
LOCAL: Metapresencial
TÍTULO:

HISTÓRIAS NÃO CONTADAS: O USO DE BIOGRAFIAS DE MULHERES AFRO-ATLÂNTICAS NO ENSINO ANTIRRACISTA E ANTISSEXISTA DE HISTÓRIA


PALAVRAS-CHAVES:

Biografias; Mulheres afro-atlânticas; Ensino de história; Interseccionalidade.


PÁGINAS: 280
RESUMO:

Ainda que, nas últimas décadas, os estudos sobre a experiência afro-atlântica tenham avançado, as histórias de mulheres negras permanecem silenciadas pela historiografia tradicional, marcada por perspectivas eurocêntricas, patriarcais e universalistas. Esse silenciamento relaciona-se à imagem de controle que historicamente recai sobre a mulher negra, frequentemente representada de modo estereotipado, desumanizado e restrito a papéis associados à servidão, à violência e à hiperssexualização, o que limita sua presença nas narrativas escolares e dificulta o reconhecimento de sua complexidade histórica. Diante disso, esta pesquisa propõe o uso de biografias de mulheres afro-atlânticas como ferramenta pedagógica para favorecer práticas antirracistas e antissexistas no ensino de História. O objetivo é dar visibilidade e reconhecimento às suas experiências e contribuições, oferecendo caminhos para reconfigurar leituras escolares que ainda reforçam imagens limitadas. A pesquisa segue abordagem qualitativa e fundamenta-se na pesquisa-ação e na cartografia, realizadas em uma escola da rede privada de Eunápolis/BA, com turmas do 8o ano do ensino fundamental. A coleta de dados incluiu análise de narrativas históricas presentes nos materiais escolares, observação do cotidiano da sala de aula, escuta das/os estudantes e aplicação de questionários. A análise revelou tendências de homogeneização da experiência afro-atlântica, centradas na dor e no sofrimento, além da ausência de mulheres negras nomeadas como sujeitas históricas. Esse diagnóstico orientou a seleção de biografias de mulheres que viveram entre os séculos XVII ao XIX — Nzinga Mbande, Na Agontimé, Esperança Garcia, Rosa Egipcíaca, Chica da Silva, Ana Teixeira Guimarães, Maria Firmina dos Reis, Rosarida Maria do Sacramento e Sojourner Truth — essas trajetórias evidenciam maneiras diversas de organização da vida em contextos adversos, marcadas por laços de solidariedade, preservação familiar, circulação de saberes e práticas voltadas à reexistência. O campo teórico-metodológico articula interseccionalidade, feminismo negro, história social, estudos decoloniais e pensamento contracolonial. A interseccionalidade, compreendida a partir de Crenshaw (1989) e como práxis crítica segundo Collins e Bilge (2020), orienta a análise das múltiplas camadas de opressão que atravessaram essas mulheres e, no contexto escolar, funciona como instrumento para despertar nas/os estudantes uma leitura crítica, estimulando a percepção de possibilidades constitutivas de mudança e justiça social. Essa perspectiva dialoga com Lélia Gonzalez (1984), ao discutir a construção simbólica da mulher negra, e com bell hooks (2013), ao compreender a educação como prática da liberdade. Para materializar essa proposta, foi desenvolvido o Museu Virtual Ruki, elaborado para estudantes do 8o ano, mas acessível também a outras/os estudantes e professoras/es. O museu reúne textos, imagens, vídeos e diferentes linguagens digitais, aproximando o público das biografias e favorecendo uma leitura empática dessas narrativas. A aplicação da ferramenta incluiu navegação livre, atividades escritas, rodas de conversa e um quiz interativo. Os resultados mostram deslocamentos significativos nas percepções das/os estudantes, que passaram a mobilizar novas referências associadas à resistência, à escrita, à religiosidade, à
solidariedade e à reorganização da vida das mulheres negras em diferentes contextos, além de leituras de raça e gênero. Assim, ao incorporar as biografias de mulheres afro-atlânticas ao ensino de história, articuladas ao uso de tecnologias digitais e fundamentadas na interseccionalidade, a pesquisa contribui para ampliar repertórios, produzir deslocamentos nas percepções estudantis e consolidar o ensino de história como espaço de empatia e enfrentamento aos silenciamentos que atravessam as experiências de mulheres negras, possibilitando a construção de uma consciência histórica crítica capaz de humanizá-las.


MEMBROS DA BANCA:
Externa à Instituição - CRISTIANE BATISTA DA SILVA SANTOS - UESC-BA
Externa à Instituição - IRANEIDE SOARES DA SILVA - UESPI
Presidente - ***.833.565-** - JOCENEIDE CUNHA DOS SANTOS - UNEB
Interna - 1348447 - LIDYANE MARIA FERREIRA DE SOUZA
Notícia cadastrada em: 10/12/2025 08:35
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